Ao mergulhar na história do Estádio Nabi Abi Chedid, carinhosamente apelidado de “Nabizão”, é impossível não se emocionar com o legado que esse ícone do futebol brasileiro deixou em Bragança Paulista, São Paulo. Casa do Red Bull Bragantino, o estádio, construído em 1949 e inaugurado oficialmente em 1965, foi muito mais do que um campo de jogo: foi um ponto de encontro, um palco de glórias e um símbolo da paixão de uma cidade. Com capacidade para 15.010 torcedores, o Nabizão viveu momentos épicos até sua despedida em 20 de abril de 2025, quando foi fechado para dar lugar à moderna Arena Red Bull. Mesmo com sua demolição, as histórias, curiosidades e a energia do estádio continuam a ecoar no coração dos torcedores.
Origens e Construção: Um Sonho Erguido em 32 Dias
O Estádio Nabi Abi Chedid nasceu de um esforço coletivo liderado por Nabi Abi Chedid, ex-presidente do então Clube Atlético Bragantino e pai de Marquinho Chedid, outro ícone do clube. Em 1949, em apenas 32 dias, o estádio foi construído no bairro Jardim Nova Bragança, na Rua Emílio Colella, em um terreno que antes era apenas um campo improvisado. Inicialmente chamado de Estádio Parque das Pedras, o local foi rebatizado como Estádio Marcelo Stéfani, em homenagem a um ex-jogador e presidente do clube. Em 6 de janeiro de 2009, adotou o nome atual, honrando Nabi Abi Chedid, apesar de debates locais sobre a mudança, já que muitos torcedores ainda se referiam ao estádio como “Marcelo Stéfani”. A inauguração, em 1949, foi marcada por uma vitória de 2 a 1 contra o Mogina de Campinas, com um público modesto, mas cheio de esperança, dando início a uma trajetória gloriosa.
Glórias do Nabizão: Títulos e Jogos Memoráveis
O Nabizão foi palco de conquistas que elevaram o Bragantino ao cenário nacional. Em 1990, o estádio sediou a final do Campeonato Paulista, quando o clube, sob o comando de Vanderlei Luxemburgo, venceu o Novorizontino por 1 a 0, conquistando seu primeiro e único título estadual. O jogo, que lotou as arquibancadas, ficou marcado pela atuação de craques como Mauro Silva e Mazinho, que mais tarde brilhariam na Seleção Brasileira. Em 1989, o estádio vibrou com o título da Série B do Campeonato Brasileiro, e, em 2019, após a parceria com a Red Bull, o Bragantino repetiu o feito com uma campanha invicta em casa (13 vitórias e 6 empates), culminando no bicampeonato da Série B. O empate de 1 a 1 contra o Criciúma, em 15 de novembro de 2019, com gol de Ytalo, selou a conquista diante de uma torcida extasiada.
Entre os momentos inesquecíveis, destaca-se a vitória de 3 a 2 contra o Corinthians em 1991, pelo Campeonato Brasileiro, quando o Bragantino, então uma surpresa no cenário nacional, mostrou sua força. Outro jogo marcante foi a goleada de 4 a 0 sobre o Paraná Clube em 1991, com show de Sílvio, que marcou dois gols. Claudinho, maior artilheiro da história do estádio, deixou sua marca em 2020, durante a campanha da Série A, com dribles e gols que fizeram o Nabizão explodir de alegria. Essas histórias reforçam o estádio como um verdadeiro caldeirão para adversários.
Curiosidades: O Charme Raiz do Nabizão
O Nabizão era conhecido como o “estádio mais raiz” da Série A, com características únicas que o tornavam especial. Suas arquibancadas de madeira, embora alvo de críticas por questões de conforto, davam um charme nostálgico, remetendo aos estádios antigos do Brasil. O restaurante envidraçado, com vista direta para o gramado, era um diferencial, permitindo que torcedores desfrutassem de refeições enquanto acompanhavam o jogo. A iguaria mais famosa do estádio era o sanduíche de linguiça, vendido em barracas ao redor do campo, uma tradição que refletia a cultura gastronômica de Bragança Paulista, conhecida pela produção de linguiças artesanais.
Uma curiosidade marcante é que, em 1998, o Nabizão recebeu um amistoso internacional contra o Bayern de Munique, com o Bragantino enfrentando o clube alemão em um jogo que atraiu atenção nacional. Apesar da derrota por 3 a 1, o evento colocou o estádio no mapa do futebol mundial. Outra história curiosa envolve o sistema de iluminação: em 1978, o estádio foi equipado com refletores improvisados, mas foi em 2000 que o sistema moderno, com 520 lux, foi inaugurado em uma vitória de 3 a 1 contra o São Paulo pelo Campeonato Paulista, um marco para jogos noturnos.

A Atmosfera Única: Paixão e Proximidade
Com capacidade para 15.010 torcedores, o Nabizão oferecia uma experiência íntima, com arquibancadas próximas ao campo que criavam uma pressão única sobre os adversários. O recorde de público, 15.500 pessoas, foi registrado em 1990, durante a final do Paulista contra o Novorizontino. A torcida do Bragantino, conhecida como “Massa Bruta”, transformava o estádio em um caldeirão, com cânticos, bandeiras e uma energia contagiante. Em jogos contra rivais como Palmeiras e Corinthians, o Nabizão era temido, com a torcida cantando o hino do clube e exibindo faixas com frases como “Braga, meu amor eterno”.
Apesar de limitações estruturais, como a ausência de placar eletrônico e assentos desconfortáveis, o gramado impecável e a vista privilegiada do campo eram pontos altos. O estádio também contava com cabines de imprensa reformadas e vestiários modernizados, garantindo um mínimo de conforto para jogadores e jornalistas. A proximidade com o Lago do Taboão e a Cervejaria Bragantina tornava o entorno do estádio um ponto de encontro antes e depois dos jogos, onde torcedores se reuniam para celebrar ou lamentar.
Despedida Emocionante: O Último Jogo
Em 20 de abril de 2025, o Nabizão se despediu com uma vitória emocionante de 1 a 0 contra o Cruzeiro, pelo Campeonato Brasileiro, com gol de Jhon Jhon aos 35 minutos do segundo tempo. A torcida lotou as arquibancadas, exibindo cartazes com frases como “Nabizão, eterno em nossos corações” e “Obrigado, Braga!”. O jogo foi marcado por lágrimas e cânticos, com torcedores relembrando décadas de glórias. Após a partida, a demolição começou para dar lugar à Arena Red Bull, um projeto de R$ 300 milhões que prevê um estádio moderno com 20.000 lugares, grama natural e padrões internacionais para competições da Conmebol. Enquanto a nova arena não fica pronta, o Red Bull Bragantino joga no Estádio Municipal Cícero de Souza Marques, reformado com investimento de R$ 22 milhões.
Além do Futebol: Um Centro Comunitário
O Nabizão não era apenas um estádio de futebol; era um espaço de união para Bragança Paulista. Em 2023, o Red Bull Bragantino abriu o estádio para visitas de clubes amadores locais, promovendo a integração com jovens atletas e reforçando o compromisso com a comunidade. Eventos como feiras gastronômicas, com destaque para a linguiça bragantina, e ações sociais, como doações para escolas locais, faziam do estádio um ponto de encontro cultural. Sua localização estratégica, a poucos minutos do centro da cidade e de atrações como o Museu do Telefone, tornava o Nabizão um marco turístico, atraindo visitantes interessados na história do futebol e na cultura local.
Legado Imortal
O Estádio Nabi Abi Chedid é um símbolo de resiliência, paixão e conquistas. Palco de títulos históricos, como o Paulista de 1990 e a Série B de 2019, e casa de craques como Claudinho e Mauro Silva, o Nabizão marcou gerações. Suas tradições, como o sanduíche de linguiça e a atmosfera raiz, refletem a alma de Bragança Paulista. Mesmo com sua despedida, o legado do estádio vive na memória dos torcedores e na promessa da Arena Red Bull, que levará adiante o espírito da “Massa Bruta”. O Nabizão não é apenas um capítulo do futebol brasileiro; é uma história de amor eterno entre um clube, sua cidade e sua torcida.o que o legado do Estádio Nabi Abi Chedid continue a inspirar o futebol brasileiro.

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