Ao explorar a rica história do Estádio Benito Agnelo Castellano, conhecido carinhosamente como “Benitão”, é impossível não sentir a pulsação da paixão futebolística de Rio Claro, São Paulo. Casa da Associação Esportiva Velo Clube Rioclarense, este estádio, inaugurado em 7 de setembro de 1972, é um marco do esporte brasileiro, repleto de glórias, histórias e uma conexão profunda com a comunidade. Com capacidade atual de 8.136 torcedores, o Benitão viveu momentos épicos e, com a ascensão do Velo Clube ao Campeonato Paulista de 2025, um projeto de expansão para 10.000 lugares está em andamento, prometendo um novo capítulo para este ícone.

Origens e Construção: Um Sonho em Vermelho e Verde

O Estádio Benito Agnelo Castellano nasceu em 1972, erguido no lugar de um antigo estádio demolido, no bairro Copacabana, em Rio Claro. Inicialmente chamado de “Gigantão do Copacabana”, o nome refletia a localização e a ambição de um espaço grandioso para o Velo Clube. A construção foi um esforço coletivo, liderado pela dedicação de associados e torcedores, com o objetivo de dar ao clube uma casa digna de sua história. A inauguração, em 7 de setembro de 1972, trouxe um jogo memorável contra o Palmeiras, então campeão paulista. Apesar da derrota por 4 a 1, o primeiro gol do estádio foi marcado pelo atacante velista Bertinho Traina (Humberto Luiz Traina), aos 15 minutos do primeiro tempo, um momento gravado na memória dos torcedores. Em 5 de janeiro de 1973, o estádio foi rebatizado em homenagem a Benito Agnelo Castellano, um esportista, dirigente, cronista esportivo e torcedor fanático que dedicou décadas ao Velo Clube, deixando um legado de amor e serviço.

Glórias do Benitão: Conquistas Inesquecíveis

O Benitão foi palco de feitos históricos que elevaram o Velo Clube ao cenário estadual. Um dos momentos mais marcantes ocorreu em 17 de dezembro de 1978, quando o Velo Clube venceu o EC São José por 1 a 0, atraindo 14.922 torcedores – o recorde de público do estádio – em uma partida decisiva da Segunda Divisão Paulista. Esse jogo simbolizou a força do time e da torcida rubro-verde. Em 2011, o estádio vibrou com o acesso do Velo Clube à Série A2 do Campeonato Paulista, após uma campanha emocionante, com vitórias em casa que fizeram o Benitão tremer. Mais recentemente, em 16 de fevereiro de 2025, o Velo Clube derrotou a Inter de Limeira por 2 a 1, em jogo da Paulista A1 (Jornada 10), consolidando sua volta à elite estadual e pavimentando o caminho para a promoção ao Campeonato Paulista de 2025. Craques como Bertinho Traina e os jovens das categorias de base deixaram suas marcas, reforçando o Benitão como um caldeirão de talentos.

Curiosidades: Histórias que Encantam

O Benitão é repleto de histórias e peculiaridades. Durante a inauguração em 1972, um fato pitoresco roubou a cena: um paraquedista, em uma exibição festiva, aterrissou no gramado durante o jogo contra o Palmeiras, atingindo acidentalmente o lateral Eurico, do time visitante, que, assustado, precisou ser substituído. A torcida riu e aplaudiu, transformando o incidente em uma lenda local. Outra curiosidade é o apelido “La Bombonera”, dado por torcedores apaixonados, inspirado no estádio do Boca Juniors, pela atmosfera intensa e pela proximidade das arquibancadas ao campo. Antes de ser Benito Agnelo Castellano, o “Gigantão do Copacabana” já refletia o orgulho do bairro. No interior do estádio, o Bar “Toca Rubro Verde” guarda fotos e registros de esquadrões históricos, como os times dos anos 70 e 80, imortalizando a paixão em vermelho e verde. Em 2011, o canal @VeloemImagens começou a documentar a história do clube e do estádio, tornando-se uma referência para os velistas.

Atmosfera Única: A Paixão Rubro-Verde

Com capacidade oficial de 8.136 lugares, o Benitão oferece uma experiência íntima e eletrizante, com duas arquibancadas laterais próximas ao gramado, criando um verdadeiro caldeirão para os adversários. No passado, uma arquibancada tubular atrás do gol amplificava a pressão da torcida, e há planos de resgatá-la na expansão para 10.000 lugares, iniciada em 2024. Em dias de jogo, a Rua 3, 116, no bairro Copacabana, pulsa com cânticos, bandeiras e faixas com dizeres como “Avante, Rubro-Verde!”. O recorde de 14.922 torcedores, em 1978, mostra o poder da torcida velista. Apesar de críticas à estrutura, como assentos antigos e falta de placar eletrônico, o estádio é elogiado pela vista privilegiada do campo e pela energia única, como no recente jogo de 16 de fevereiro de 2025, contra a Inter de Limeira, quando a vitória por 2 a 1 fez o Benitão explodir de alegria.

Reformas e Desapropriação: Um Novo Capítulo

O Benitão passou por transformações significativas ao longo dos anos. Originalmente propriedade do Velo Clube, o estádio enfrentou riscos de leilão judicial em 2008 para quitar dívidas trabalhistas e IPTU acumuladas desde 1988. Em 12 de fevereiro de 2008, a Prefeitura de Rio Claro desapropriou o estádio, assumindo sua administração para preservar este patrimônio. O processo, finalizado com o pagamento de R$ 4,8 milhões, teve a primeira parcela de R$ 23.500,00 paga em 30 de abril de 2010, e a quitação ocorreu em 2015. A desapropriação aliviou o Velo Clube, permitindo saldar dívidas e planejar a aquisição de um novo patrimônio, como destacou o presidente José Pedro Caraça. Em 2024, com a promoção à Paulista A1, a prefeitura anunciou a expansão para 10.000 lugares, com melhorias em vestiários, iluminação e acessibilidade, visando atender às exigências de competições futuras.

Além do Futebol: Um Espaço para a Comunidade

O Estádio Benito Agnelo Castellano transcende o futebol, sendo um ponto de união para Rio Claro. Em dias sem jogos, o Benitão recebe treinos das categorias de base, como Velo Clube Sub-15 e Sub-17, nutrindo jovens talentos. Em 2023, o estádio abriu suas portas para eventos comunitários, como feiras locais e exibições de fotos históricas no Bar “Toca Rubro Verde”, conectando gerações de torcedores. Sua localização, perto de pontos como o Estádio Municipal Dr. Augusto Schmidt Filho e a via de acesso Presidente John Kennedy, integra o Benitão à vida da cidade. Em 2010, durante o centenário do Velo Clube, celebrações no estádio, com bandeiras e cânticos, reforçaram seu papel cultural, atraindo até visitantes curiosos pela história rubro-verde.

Benito Agnelo Castellano: O Homem por Trás do Nome

Benito Agnelo Castellano, nascido em 9 de junho de 1927 em Rio Claro, foi um pilar do Velo Clube. Filho do italiano José e da sergipana Clara, era professor, casado com Ivone e pai de Cláudio Luis e Marisa. Por 23 anos, trabalhou como Educador Social no SESI, ganhando respeito e admiração. Como dirigente, cronista esportivo da Gazeta Esportiva e torcedor, Benito era visto nos jogos antigos da Rua 3, sob o sol ou junto ao alambrado, incentivando o “Velão”. Durante a construção do Benitão, criou o time de “cadetes”, reunindo jovens talentos para manter o clube ativo. Faleceu antes da inauguração, mas, em 5 de janeiro de 1973, os associados do Velo Clube, por sugestão do radialista velista Sergio Carnevale, batizaram o estádio em sua homenagem, eternizando sua dedicação.

Legado: O Espírito de Rio Claro

O Estádio Benito Agnelo Castellano é mais do que um campo; é o coração rubro-verde de Rio Claro. Palco de vitórias históricas, como a de 1978 contra o São José, e do acesso à Série A2 em 2011, o Benitão carrega a alma do Velo Clube. Suas histórias, do paraquedista de 1972 ao bar “Toca Rubro Verde”, e a paixão da torcida criam uma identidade única. A desapropriação de 2008 salvou o estádio, e a expansão de 2024 promete um futuro brilhante. Honrando Benito Agnelo Castellano, o Benitão une passado e presente, esporte e comunidade, deixando um legado de amor, garra e orgulho para Rio Claro e o futebol brasileiro.

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